ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria publicada em: N.A.

“Atenção, perigo!”
Abril/2014

O ano de 2014 começou atrasado, digamos assim. Com o carnaval no início de março, a sensação que se tem é que as férias ficaram mais alongadas, com o ir e vir de turistas brasileiros e estrangeiros, os blocos carnavalescos e as escolas de samba maquiando a economia que funcionava a meia bomba.

Passados esses quase noventa dias iniciais, o que vinha sendo escondido pelo período de férias e de festas, iniciado em meados de dezembro do ano passado, finalmente começou a aparecer de forma gritante, caindo com peso no colo dos brasileiros.

Ainda estamos meio parados, mas as contas a pagar não deixam de chegar. Despesas fixas, como salários, aluguéis, IPTU, entre outras, e, também, parcelas de investimentos realizados anteriormente, não perdoam. Chegam e pronto.

No caso das empresas do TRC, a rentabilidade em baixa nos últimos tempos, com fretes sendo reajustados muito aquém da efetiva elevação de custos e das obrigações de toda espécie, agravam esse quadro.

A queda na produção de serviços com o resfriamento da economia impacta diretamente no faturamento menor e, consequentemente, num fluxo de caixa mais apertado.

E não parece que a situação vai ficar melhor nos próximos meses, pois, como já sabíamos, continuaremos com um ano bastante prejudicado pelos eventos da Copa do Mundo e das eleições gerais para os poderes federal e estaduais.

Muito provavelmente, abril e maio não serão meses compensadores e, muito menos, junho e julho. A partir de agosto passa-se a viver o ambiente político mais acirrado, que deverá se estender até o final do ano.

Não quero ser pessimista, mas o quadro não nos remete à expectativa mais promissora.

É tempo, portanto, de muita cautela e dedicação às empresas e ao trabalho que realizamos. Conhecer profundamente os números e detalhar cada operação é essencial para que se possa obter um mínimo aceitável de resultado.

Brigar por volume de cargas, aviltando ainda mais os preços, transportando e distribuindo carga sem margem, é suicídio.

Não podemos aceitar o leilão de preços, mas, sim, calcular o custo efetivo e repassá-lo ao embarcador.

Como tem dito o presidente da NTC&Logística, José Hélio Fernandes, as empresas precisam ter lucro, cobrando frete adequado com custos muito bem medidos. Caso contrário, não haverá condição de se manter no mercado.

Parece simples afirmar isso, como se fosse uma receita mágica, mas o amigo José Hélio tem total razão.

Não está fácil conviver com tamanha quantidade de dificuldades impostas ao setor, como restrições no trânsito; baixa produtividade pelos engarrafamentos e deficiências na infraestrutura das rodovias; falta de segurança e pesados custos com gerenciamento de riscos; tempo parado nos embarcadores e destinatários das mercadorias transportadas; tributos complexos e elevados; legislação trabalhista ultrapassada e, pior, uma Justiça do Trabalho que, cada vez mais, faz aumentar o passivo das empresas nesse quesito.

Temos que procurar parceiros, embarcadores e fornecedores que entendam o que representa este serviço estratégico e quanto nos custa levar os insumos para a indústria, abastecer o comércio ou entregar um produto ao consumidor final.

Para quebrar um pouco o clima, sem perder a seriedade que o momento exige, lembro o famoso robô do seriado “Perdidos no Espaço”, da década de 60: “Atenção, perigo!”

Eduardo F. Rebuzzi
Presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA e Presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ


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