ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria publicada em: N.A.

A Copa do Mundo é nossa
Junho/2014

Com brasileiro, não há quem possa, êta esquadrão de ouro, é bom no samba, é bom no couro...

A marchinha concebida em 1958 podia alardear a conquista: havíamos sido campeões mundiais de futebol naquele ano. Tornou-se recorrente com os campeonatos que se sucederam e marcaram o Brasil como o país do futebol. A lembrança me parece oportuna para fazer alusão à Copa do Mundo prestes a ser realizada.

Embora o time de futebol nacional tenha boas condições de ter sucesso, não se pode afirmar que a Taça do Mundo será mesmo nossa, já que outras seleções também se apresentam como fortes candidatas ao título.

No próximo dia 12 de junho, teremos a partida inaugural entre as seleções de futebol do Brasil e da Croácia, no estádio Itaquerão, em São Paulo. Provavelmente, será uma grande festa, mas o retrato que temos no momento é o de um estádio ainda inacabado, precariamente testado e com acesso difícil para os torcedores. Pelo que lemos no noticiário, nem mesmo a quantidade de assentos disponíveis está definida.

O chamado padrão Fifa não deverá ser respeitado à risca. Mesmo que se ganhe a Copa e se faça, aqui, uma grande festa, fica registrado não ter sido cumprido o que foi avençado desde que o Brasil foi escolhido como país sede.

A expressão que se tornou comum – “imagina na Copa” –, tantas vezes mencionada com suspeito humor, ao comparar as mazelas do dia a dia dos serviços públicos oferecidos em nosso país com as expectativas do que teríamos durante a realização de um evento esportivo mundial dessa envergadura, parece que virou realidade, pelo menos em grande parte.

No fim, tudo deverá acabar bem, principalmente se a seleção brasileira for vitoriosa, mas não podemos esquecer o nosso legado, aquele que continuaremos vivendo aqui.

Se a Copa de 2014 vai durar pouco mais de um mês, o país tem o restante dos dias do ano para encarar a realidade. Após a euforia ou decepção futebolística, retomaremos nossas vidas, estudando, trabalhando e cumprindo outras obrigações e compromissos.

E o que nos espera?

A também famosa imagem do Cristo Redentor decolando como um foguete, publicada na revista The Economist em novembro de 2009, virou outra, com nosso símbolo maior surgindo como um foguete desgovernado, metáfora negativa e de mau agouro.

A economia nacional apresenta índices mais do que preocupantes, acumulando, no primeiro trimestre de 2014, um PIB, segundo o IBGE, de pífios 0,2%. A expectativa de bancos e consultorias é de índice negativo no segundo trimestre e taxa anual entre 1 e 1,4%.

A indústria teve queda de 0,8% neste mesmo período e também reduz seus investimentos ante a queda de consumo e falta de expectativas a curto e médio prazo.

A preocupação com a inflação, que volta a crescer, e com o desemprego que bate à porta, assusta e leva as famílias a reduzir o consumo e driblar o endividamento. Apregoa-se que esse modelo econômico já não funciona mais.

Nas regiões metropolitanas, além dos entraves com a mobilidade, percebe-se o crescimento da violência e do espírito reativo e reivindicativo por um considerável número de pessoas.

Não sabemos quem ganhará as eleições para o governo federal e para os governos estaduais. Sabemos, contudo, que o país e os estados precisam de muita gestão capaz, honesta e transparente.

Voltando à paródia musical, o brasileiro precisa mostrar que não é bom só no futebol, que é bom, de fato, no governar e fazer crescer uma nação, com justiça e oportunidades para o seu povo.

Eduardo F. Rebuzzi
Presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA e Presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ


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