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Matéria publicada em: N.A.

Os três conceitos de depreciação (Parte 3)
Neuto Gonçalves dos Reis*

Fonte: NTC&Logística

Para o economista, não existe relação direta entre o valor do veículo e a depreciação. As escolhas do método e da base de depreciação constituem decisões independentes, que não se relacionam com a vida útil ou com os serviços prestados.

O que conta é a velocidade na qual o empresário deseja recuperar o capital investido, que retornos adicionais espera para expandir seu negócio.

As taxas de depreciação poderão ser elevadas, principalmente quando houver:

· obsolescência rápida ou planejada;
· instabilidade econômica;
· riscos técnicos ou mercadológicos elevados.

Em suma, a depreciação econômica engloba não apenas a depreciação, mas também o retorno desejado, ou seja, a remuneração do capital.

Legalmente, não é possível contabilizar como custo a remuneração do capital próprio, mas apenas os juros de empréstimos bancários (despesas financeiras).

Do ponto de vista econômico, existem argumentos a favor e contra a inclusão da remuneração do capital nos custos.

Embora o assunto seja controverso, segundo a teoria econômica, por virtual ou intangível que seja, existe sempre um custo de oportunidade associado ao capital (Machiline, 1970):

· qualquer investimento pressupõe uma remuneração mínima;
· a inflação exige que o retorno se dê em valor nominal maior do que o capital inicial;
· investir significa deixar de distribuir lucros, o que só é atraente se a remuneração for adequada;
· como os recursos são escassos, investir em um projeto significa perder a oportunidade de investir em outros;
· existe a possibilidade de o investimento não corresponder à expectativa (risco).

Os autores contrários à inclusão deste custo argumentam que, se o preço cobrado já inclui a depreciação, o empresário pode formar uma reserva que, aplicada mês a mês no mercado financeiro, assegurará os recursos suficientes para renovar a frota. Assim, a remuneração do capital não constituiria um custo, mas uma forma de aumentar a margem de lucros.


*Neuto Gonçalves dos Reis
Diretor Técnico Executivo da NTC&Logística, membro da Câmara Temática de Assuntos Veiculares do CONTRAN e presidente da 24ª JARI do DER-SP



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