ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria publicada em: N.A.

Papel da sociedade
Agosto/2014

Após a realização da Copa do Mundo no Brasil, com relativo sucesso em sua organização e a lamentável constatação de que não mais podemos ser reconhecidos como o país do futebol, entramos, a partir deste mês, naquela que deveria ser a mais importante competição para a vida nacional.

Dentro de pouco mais de sessenta dias, estaremos elegendo os governantes majoritários para cargos do poder executivo e os representantes do povo para as diversas casas legislativas, federais e estaduais.

Comum, nesse período que antecede aos pleitos eleitorais, recebermos a visita diária dos candidatos pelos diversos meios de comunicação, sobretudo pelo disputado tempo de televisão e até mesmo em eventos, reuniões e no corpo a corpo das caminhadas pelas ruas da cidade.

Todo esse movimento não deveria passar despercebido pela população, chamada que é à sua extemporânea importância, pelo fato de ter e poder entregar, a alguns escolhidos, um simples e único voto.

Mágico momento... Mas não deveria ser visto assim. Então, como devemos e podemos agir, bravos eleitores, povo do nosso país?

Embora longe de ser um articulador político ou analista social, e sem qualquer pretensão nesse sentido, tenho procurado, nos reduzidos espaços em que atuo, falar e valorizar o papel da sociedade na sua relação com o ente público.

Não raro, observo que, acima do respeito necessário e, até, imprescindível diante de uma autoridade pública, existe uma acentuada dose de dependência e perplexidade que chega a ultrapassar o limite da razoabilidade e da saudável convivência democrática.

Esse comportamento, em vez de estabelecer uma relação de convivência e de retorno dos compromissos assumidos, acaba por disfarçar e distorcer os verdadeiros anseios e interesses comuns aos cidadãos nos debates pela melhoria da qualidade de vida das pessoas.

As manifestações populares do ano passado, por exemplo, enquanto realizadas de forma organizada e sem violência, foram uma grande demonstração de vontade, com cobrança e orientação aos poderes públicos no sentido do que se queria para aqui se viver melhor, com transparência, justiça e respeito.

Pena que o movimento se perdeu com a invasão, articulada ou não, de arruaceiros e baderneiros, que acabaram assustando e excluindo as pessoas que lá estavam pela luta por puros e justos direitos.

No âmbito institucional, seja de empresários, trabalhadores, bairros, clubes etc., em cada momento em que exista tal possibilidade, cabe levar aos nossos representantes, ainda candidatos ou já eleitos, os anseios e situações que dependem do exercício do poder, de modo a tomarem conhecimento, de forma inquestionável, do que precisam fazer.

Se não houver essa liberdade respeitosa e verdadeira, continuaremos nos enganando a todos – eles, acima do bem e do mal, e nós, sociedade civil, em patamar inferior, apenas na possível expectativa de que um dia as coisas melhorem, meio que por acaso.

É sempre bom ouvir o que queremos e nos agrada, mas uma possível mentira servil apenas ilude e faz piorar, ao longo do tempo, tudo o que poderia ser feito pelas nossas autoridades, em todos os níveis e segmentos do poder.

Ao representar instituições como as nossas, não podemos falar em causa própria. Educada e objetivamente, temos, sim, a obrigação de alertar e mostrar, com a necessária firmeza, o que nos aflige e o que pode trazer estragos econômicos, financeiros e sociais.

Agindo com esse espírito, que é acima de tudo público, mesmo que gere algum descontentamento pontual aqui e ali, estaremos contribuindo efetivamente para que o representante público tenha conhecimento do que precisa fazer, contando com o nosso apoio para avançar e alcançar objetivos que sejam, efetivamente, do setor e da nação brasileira.

Eduardo F. Rebuzzi
Presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA e Presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ


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