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  ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria publicada em: N.A.

Brasil competitivo
Setembro/2104

O pessimismo não leva ninguém a lugar algum. Como bem diz William George Ward, teólogo inglês (1812 – 1882), “o pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude, e o realista ajusta as velas”.

Recentemente, num encontro de empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro, o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Andrade, em seu discurso, lembrou que não existe no mundo nenhum país rico com um setor industrial pobre, acrescentando as dificuldades pelas quais passa o setor, cujo crescimento pífio de 0,5% em 2014 representa a pior crise em seus 37 anos de atividade empresarial.

Nesta semana, o Fórum Econômico Mundial divulgou o último Relatório da Competitividade Global, que avaliou o grau de competitividade de 144 países, apresentando o Brasil em 57º lugar no ranking mundial liderado pela Suíça. Ano passado, estávamos melhores, se é que se pode assim dizer, figurando em 56º lugar.

Entre os países que formam o BRICS – com a China em 28º lugar, a Rússia em 53º e a África do Sul em 56º –, estamos apenas à frente da Índia (71º). Na América Latina, perdemos longe para o Chile, que ocupa a 22ª posição. Lamentável constatar que outros países vizinhos também não se apresentam bem, com destaque para Argentina e Venezuela, 104º e 134º no ranking, respectivamente.

Como afirma o relatório, "o Brasil, assim como o BRICS, precisará implementar reformas e se comprometer em fazer investimentos produtivos. Esta estratégia é não apenas importante, mas urgente para que o Brasil reforce sua resiliência".

Outro ponto do relatório destaca que as recentes mudanças na economia global indicam que o Brasil vai enfrentar fortes ventos, por conta da queda no preço internacional das commodities e da possível saída de capital de economias mais avançadas que havia entrado no país no pico da crise financeira mundial.

Voltando à frase do teólogo inglês, temos, então, que ajustar as nossas velas, que estão para lá de fora de posição.

Não sou expert no tema, mas se sabe que navegar totalmente contra o vento não é possível, restando a alternativa do truque do ziguezague para driblar a ventania.


Na economia nacional, algo parecido tem sido copiado nesse sentido, o que faz com que a velocidade para avançarmos se torne muito mais lenta, retardando a nossa embarcação em relação aos demais competidores.

Até quando empresários acreditarão nessa “alternativa técnica”, e os trabalhadores e a população em geral se sentirão satisfeitos e atendidos?

Pelo que vemos nos dados econômicos e na reação das pessoas, vivemos um fim de tempo. A paciência sem limite não pode mais morar aqui!

Não faço crítica a qualquer governo especificamente, mas um alerta a todos. Aos que passaram e aos que teremos pela frente. Vivemos um problema de Estado que precisa ser resolvido em suas entranhas. Não mudaremos tudo de uma vez, já que não existe um único botão a ser apertado, mas não se pode deixar de mudar.

Fácil constatar, na relação dos principais problemas apontados para fazer negócios no Brasil, destacados no Relatório da Competitividade, o que se tem a combater: regras tributárias, legislação trabalhista restritiva, oferta inadequada de infraestrutura, burocracia ineficiente do governo, corrupção e força de trabalho com educação inadequada.

Nada disso é novidade. Aqui mesmo, já falamos sobre este mesmo assunto diversas vezes.

Em poucos dias, teremos eleições nacionais, e muita esperança se joga sobre os resultados que advirão, para a solução desse quadro.

Mas os novos governantes, sejam quem forem, precisam sentir, por meio da representação legal e formal da sociedade, das instituições, muitas delas seculares e independentes, uma exigência de comportamento e ações efetivas de médio e longo prazo para o país.

Os mandatos têm começo e fim. O Brasil, não.

Eduardo F. Rebuzzi
Presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA e Presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ



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