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  ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria publicada em: N.A.

Do que o Brasil precisa
Outubro/2014

Inicio meu texto já ciente do resultado das eleições realizadas ontem, 5 de outubro, que apontam, entre tantos eleitos e candidatos ao segundo turno, os dois presidenciáveis que poderão conduzir os destinos do país nos próximos quatro anos.

A eles, ressalto as palavras escritas numa coluna publicada na revista Veja desta semana, que copio aqui: “Os governos, mesmo os bons, não produzem um centavo de riqueza. Todo o dinheiro gasto pelo governo brasileiro continuará vindo dos impostos que os cidadãos produtivos e as empresas que os empregam pagam”.

Ponto! A partir daí, devem começar a fazer todo o trabalho que lhes cabe, outorgado pela população brasileira.

A propósito do que o Brasil precisa, vou referir-me à infraestrutura logística nacional, meio que continuando meu artigo da edição de setembro desta revista, quando enfatizei a pouca competitividade de nosso país perante outras nações. E incluo comentários sobre o trabalho técnico realizado pela Confederação Nacional do Transporte – “O que o Brasil precisa em transporte e logística” –, que, no formato de propostas, foi entregue a todos os candidatos à Presidência da República e está disponível no site da CNT.

Inegável, e batemos incansavelmente nessa tecla, que o transporte é um dos pilares para o desenvolvimento econômico e social. Imprescindível que seja constantemente pensado e devidamente planejado, considerando os aspectos estratégicos e integrados que envolvem os diversos modais – rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo – nos percursos produtivos da curta, média e longa distância, assim como a mobilidade urbana e os ajustes para a redução dos gargalos da burocracia e dos custos da atividade.

Chama atenção a queda da parcela do Produto Interno Bruto (PIB) investida em infraestrutura de transporte, de 1,7% na década de 1970 para algo em torno de 0,3% em 2013, destacando, ainda, que dos R$19,1 bilhões autorizados para o transporte no ano passado somente 70% (R$13,5 bilhões) foram efetivamente utilizados, demonstrando a dificuldade de execução e gestão dos recursos por parte do governo federal.

O resultado desse processo predatório não poderia ser outro, conforme aponta o ranking elaborado pelo Fórum Econômico Mundial com 144 países sobre a qualidade da infraestrutura de transporte, que posiciona o Brasil em 95º lugar com relação às ferrovias, 113º no transporte aéreo e o mesmo 122º para nossas rodovias e portos.

No Brasil, o que se nota é que o transporte não é considerado um sistema, sendo interpretado mais pela atuação individual de modais que apenas se unem de forma aleatória, quando precisariam ser planejados, viabilizados e operados num modelo único e integrado. E tal constatação torna o quadro ainda mais complexo, se consideradas as dimensões continentais, a ocupação geográfica e as diferenças culturais do país.

Outros pontos importantes a serem destacados são a burocracia e a complexidade tributária brasileira, que retardam as operações intermodais e elevam os custos da produção, afastando investidores nacionais e estrangeiros. Citando um exemplo do que acontece no dia a dia, para que embarcações brasileiras possam atracar e desatracar nos portos nacionais, são exigidos mais de 40 documentos, frutos, também, dos 14 órgãos setoriais e reguladores com atuação sobre o transporte do país, com sobreposição de competência entre eles, o que dificulta a possibilidade de diálogo entre as partes interessadas, e gera dúvidas e interpretações diversas.

O setor de transporte e logística enfrenta mazelas que acabam não sendo sentidas somente pelos operadores e transportadores. Por serem atividades-meio, suas mazelas afetam diretamente os demais setores econômicos e a sociedade como um todo, retardando e encarecendo a produção, causando acidentes e danos ao meio ambiente, entre outros desagradáveis resultados.

Em pouco menos de um mês, voltaremos às urnas para concluir o processo eleitoral e, a partir do dia 1º de janeiro de 2015, teremos novas gestões nos poderes legislativo e executivo.

Espero, sinceramente e com renovado otimismo, que se lembrem, em todos os dias de seus mandatos, do que foi mencionado no início deste artigo: somente o trabalho, com planejamento e gestão eficiente, pode gerar recursos para enriquecimento da nação, investimentos e implantação dos projetos sociais.

Não travem a produção!

Eduardo F. Rebuzzi
Presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA e Presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ



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