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  ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria publicada em: N.A.

Renovando a Ponte Rio-Niterói
Novembro/2014

Para mim, a vida da Ponte Rio-Niterói começou em meados de 1974, quando, pouco depois da sua inauguração em março daquele ano, tendo recém conquistado a cobiçada carteira de motorista e dirigindo o meu fuscão vermelho, junto com amigos também em outros carros, fomos a Niterói para um jogo de futebol na praia de Icaraí.

Éramos todos jovens, eu com 18 anos, e lembro bem daquele dia e da deslumbrante passagem “aérea” sobre a Baía de Guanabara, que, até então, era cruzada apenas a bordo das barcas da Cantareira, que transportavam passageiros e/ou automóveis. Românticas recordações das filas de espera e de uma cidade que tanto cresceu, encheu e mudou.

Mas, voltando um pouco à história da própria Ponte, segundo pesquisa, apesar de a obra ter iniciado em novembro de 1968, o conceito de seu projeto remonta a 1875, visando a ligação entre os dois centros urbanos vizinhos, separados pela baía ou por uma viagem terrestre de mais de 100 km, que passava pelo município de Magé. À época havia sido concebida a construção de uma ponte e, posteriormente, de um túnel.

Fazendo parte da Rodovia BR 101, com extensão total de 13,29 km e previsão inicial de um volume diário de 15.865 veículos, sendo 4.868 caminhões, 1.795 ônibus e 9.202 automóveis, a Ponte Presidente Costa e Silva recebe, atualmente, cerca de 150.000 veículos por dia, totalizando mais de 50 milhões de veículos por ano.

Recordo, aqui, as conversas com o querido amigo Denisar Arneiro, que, representando o TRC na solenidade de inauguração, ouviu do então Ministro dos Transportes, engenheiro Mario Andreazza, que os caminhões transportando cargas teriam essa nova via e não precisariam mais dar a volta na baía para percorrer as longas viagens entre o sul e o nordeste do país.

A partir de 1994, entretanto, com a crescente incorporação da Ponte ao tráfego metropolitano e com os constantes congestionamentos, fomos convocados para as primeiras reuniões com o gestor público, o DNER, para debater as restrições aos caminhões no sentido Niterói/Rio. Começando pelo horário do rush, aos poucos os horários restritivos foram se estendendo, chegando, em poucos anos, à total proibição de veículos de carga com mais de três eixos entre 4h e 22 horas, nos dois sentidos.

Em 1995, foi feita a primeira concorrência para concessão da administração da Ponte para a iniciativa privada, vencida pelo consórcio Ponte S/A, empresa do Grupo CCR. Em maio do próximo ano, a atual concessão completará 20 anos, e o edital da licitação da nova concessão deverá ser lançado pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), em janeiro de 2015.

Com o apoio da Secretaria de Estado de Transportes do Rio de Janeiro, temos participado das audiências públicas e reivindicado, junto à ANTT, que, na minuta do edital para a nova concessão, conste a obrigatoriedade de investimentos nos acessos à Ponte, nas cidades do Rio e Niterói, e a construção da chamada “Avenida Portuária”, ligando a Avenida Brasil e a Linha Vermelha ao Porto do Rio de Janeiro e à própria Ponte. Tais medidas desafogariam o trânsito urbano e desenvolveriam economicamente a região portuária do estado.

Com a melhora nas entradas e saídas da Ponte, a sociedade como um todo será beneficiada. Durante o dia, os usuários sofrerão menos com os engarrafamentos, enquanto os veículos de cargas poderão transitar com mais facilidade durante a noite.

Outro ponto importante para os veículos de transporte de cargas é a facilidade de acesso ao Porto do Rio, o principal local de arrecadação de ICMS do Estado e importante contribuinte de ISS para a cidade, cujo potencial operacional fica limitado pelas dificuldades de recebimento e escoamento das mercadorias exportadas e importadas.

A ANTT apresenta duas opções de tarifa-teto para o pedágio: uma, de R$ 4,27, que prevê investimentos de cerca de R$ 970 milhões, e outra, de R$ 5,37, com investimentos maiores, de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, que incluem obras da Avenida Portuária e dos acessos à Ponte.

Construindo os acessos, o investimento será um pouco maior e teremos o custo repassado na tarifa de pedágio. Entretanto, essa diferença se dilui ao longo dos anos, sendo perfeitamente compensatória, já que, sem essa obra, continuaremos com os veículos de cargas passando pela Avenida Brasil, aumentando engarrafamentos, criando acidentes e poluindo o meio ambiente.

É tempo de renovar a nossa Ponte, e vemos isso como um investimento muito pequeno em comparação com o grandioso projeto e a importância da nova concessão, até 2045.

Eduardo F. Rebuzzi
Presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA e Presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ



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