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  ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria inserida em: 05/10/2017

CONET / NTC – Conversando com a realidade
Fevereiro/2017

No final do meu último artigo, publicado no mês passado, convoquei as demais lideranças, empresários e executivos do TRC para participar do CONET&Intersindical da NTC (Associação Nacional do Transporte e Logística), então prestes a ser realizado, no período de 9 a 12 de fevereiro, em Rio Quente (GO).

Pois bem, lá estivemos, com duas centenas de participantes de todo o país para, em dois dias de intensos debates, tratar de alguns dos problemas que precisam ser resolvidos ou encaminhados em nosso setor, em especial, a absurda defasagem dos fretes, a calamidade dos roubos de cargas e o injusto passivo trabalhista provocado pelas ultrapassadas leis e desconectadas sentenças nos milhares de ações promovidas contra as empresas.

Começando pela defasagem dos fretes, para começar a agonia, os números da pesquisa apresentada pelos técnicos da NTC mostraram que, em 84% das 1.785 empresas consultadas, houve uma queda média no faturamento de 2016 de quase 20% (19,13%), sendo que, para as que fazem lotação, tal perda atingiu quase 90% (87%), demonstrando que a queda no PIB de mais de 7% nos últimos dois anos tem sido implacável com o TRC, conforme também atesta a ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), que informa uma redução do índice de passagem de veículos pesados nas praças de pedágio de 14,81%, em relação a 2013, e de 6,72% apenas no ano passado.

Na contramão em “pista simples”, a mesma pesquisa mostrou o pesado aumento nos custos, com salários subindo 8,72%; combustível, 4,25%; despesas administrativas, 9,20%; manutenção, 6,58%; veículos, 5,61%, e lavagem, 8,40%, além da dificuldade de cobrança do frete-valor e das taxas adicionais, como o GRIS – Gerenciamento de Risco e a TRT – Taxa de Restrição de Trânsito, entre outras, cujos custos são suportados integralmente pelas empresas de transporte.

Ou seja, como sobreviver com queda de faturamento, perda de eficiência e de aproveitamento provocados pela redução do volume de carga transportada, ociosidade das estruturas operacionais e o aumento de custos que as empresas não conseguem repassar, aliados ao alargamento cada vez maior dos prazos de pagamento e do crescimento da inadimplência dos fretes, esta última chegando a 14,90%, segundo a pesquisa acima mencionada?

Espera-se que a economia volte a ter um PIB positivo este ano, o que não deverá ser difícil ocorrer considerando a base negativa comparativa dos últimos anos. Mas não podemos ter aumento do volume de carga sem equacionarmos, antes, os valores cobrados dos nossos clientes. O CONET de fevereiro deste ano aponta, com a firmeza dos números levantados, uma defasagem nos fretes de 24,83% na carga lotação e de 11,77% na carga fracionada.

É imperativo, para o bem do TRC e para a economia em geral, que se recupere o equilíbrio nas contas de crédito e débito, sob o risco de vermos o fechamento de mais empresas e consequentes dificuldades futuras para o atendimento de um mercado que demande mais os nossos imprescindíveis serviços, o que poderia acarretar um colapso para a economia e a sociedade brasileira.

Quanto ao roubo de cargas, devido aos índices crescentes sob a lamentável liderança nacional das ocorrências registradas no Rio de Janeiro, para as empresas poderem suportar o aumento com gastos na rubrica segurança, estabeleceu-se a criação de uma taxa emergencial a ser cobrada sobre o valor das mercadorias transportadas que tenham origem ou destino o Rio de Janeiro – a EMEX – Emergência Excepcional –, com percentual entre 0,3 e 1%, a ser negociado entre as empresas de transporte e seus clientes, com uma taxa mínima de R$ 10,00 para cada 100kg ou fração.

Como o espaço aqui é limitado, falarei, em outra oportunidade, mais detalhadamente dos demais pontos tratados no CONET. Mas quero registrar, mais uma vez, a importância da realização desses eventos pela NTC, oportunidade em que todo o Brasil se reúne para conversar com a realidade do nosso setor.

E o próximo CONET será realizado na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, no período de 3 a 6 de agosto deste ano, quando teremos a honra de receber a todos, em apoio à competente equipe da NTC&Logística.

Fevereiro de 2017


Eduardo F. Rebuzzi
Presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA e Presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRio



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