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Matéria publicada em: 15/06/2018

Responsabilidade em transportar

Eduardo Rebuzzi*

No dia 14 de junho, o SINDICARGA completou 85 anos, a primeira entidade empresarial do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) no Brasil, fundada em 1933, sendo o primeiro presidente Othon J. Antunes, em nome do qual estendo a minha homenagem aos 16 presidentes que se sucederam até aqui, juntamente com suas diretorias.

O setor evoluiu muito ao longo desse tempo e, atualmente, o SINDICARGA faz parte de uma grande estrutura representativa, sob a liderança da Confederação Nacional do Transporte (CNT), ao lado de centena de Sindicatos, 38 Federações e 25 Associações Nacionais, além do SEST SENAT, atualmente com 146 unidades de atendimento social e de aprendizagem no país, devendo chegar a 203 unidades até o final deste ano.

O TRC emprega mais de 2,5 milhões de trabalhadores, constituído por cerca de 200 mil empresas, e com uma frota de 2,7 milhões de veículos de transporte de cargas, movimentando diretamente mais de 60% da produção nacional, sendo também o único modal que interage com todos os demais, propiciando assim a imprescindível rede da intermodalidade. Ou seja, temos muitos motivos para valorizar esse setor estratégico e comemorar, ao lado de nossos colaboradores, fornecedores e clientes, o aniversário do SINDICARGA, semente de tudo o que fazemos pelo Brasil.

Mas o setor também passa por momentos de mudança e preocupações no exercício diário de nossa atividade. Entre as mazelas mais conhecidas e debatidas repetidamente em diversos fóruns, está a insegurança pública em todo o país e, em especial, na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde convivemos com absurdos índices de roubo de cargas, ferindo seriamente a atividade econômica do Estado, colocando em risco trabalhadores, mercadorias transportadas e caros equipamentos, assustando toda a cadeia produtiva e afastando investimentos, reduzindo empregos e agravando o quadro econômico e social.

Outros pesados gargalos fazem parte da rotina e das planilhas de custos operacionais das empresas transportadoras, como a debilitada infraestrutura de logística nacional – apenas pouco mais de 10% dos 1.735.621 km de rodovias é pavimentado, desmentindo o clichê de que o Brasil é um país rodoviarista. Se realmente fosse, teríamos aqui rodovias de qualidade servindo não só aos veículos de cargas, mas a todos nós, que usamos as estradas para os necessários deslocamentos de trabalho e de lazer.

Nesse sentido, as pesquisas divulgadas regularmente pela CNT apontam, de forma detalhada, com o objetivo de contribuir com as autoridades públicas, as condições e demandas das principais rodovias brasileiras, visando um planejamento e ações para a necessária melhoria.

Recentemente, em mais um competente trabalho, a CNT entregou à sociedade o estudo “Transporte rodoviário: acidentes rodoviários e a infraestrutura”, em cujo documento são apresentados os principais fatores que contribuem para a ocorrência dos acidentes, relacionando-os com as características da infraestrutura rodoviária existente nos locais em que eles ocorrem, mapeando, ainda, os 100 trechos rodoviários onde se concentram o maior número de mortes.

Cabe-me também, pela força do momento e do cargo que ocupo, mencionar o recente movimento de paralisação dos caminhoneiros, com sérias consequências para a sociedade e economia nacional, para fazer um registro objetivo da valorização do trabalho realizado pelas empresas e suas lideranças, contestando de forma veemente as notícias divulgadas pela mídia, no sentido de que o setor empresarial promoveu um locaute, liderando tal processo e paralisando a sua frota própria.

Desde o ano passado, o setor empresarial vinha alertando o Governo sobre a inviabilidade da política de reajuste diário do preço do diesel, um insumo básico que representa cerca de 30% do custo operacional dos caminhões, onerando igualmente os autônomos e frotistas, que não conseguiam repassar essa variação para o contratante dos serviços de transportes, assumindo integralmente o prejuízo e, por força de cumprimento dos contratos, continuando com a prestação dos serviços.

Preocupadas e conscientes da importância estratégica do TRC para o País, as entidades, além de virem alertando as autoridades, posicionaram-se de forma compreensiva aos motivos apresentados pelos autônomos, mas jamais incentivando bloqueios e paralisações, apenas orientando aos seus representados quanto aos possíveis riscos de incidentes nas rodovias, que não teriam, inclusive, cobertura securitária.

Temos certeza de que a verdade prevalecerá, os inocentes serão assim reconhecidos e terão a justiça ao seu lado.

*Eduardo F. Rebuzzi, presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA


Nota: artigo originalmente publicado na revista Eu Amo Caminhão – Junho/2018




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