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  ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria publicada em: N.A.

Roubo além da carga
Março/2015

Quando assumi a presidência do SINDICARGA, em 1993, para o cumprimento de meu primeiro mandato, sucedia à amiga Tania Drumond, única mulher a presidir a entidade em sua história de 82 anos.

Naquela ocasião, como primeiro desafio a enfrentar, tive que, com o apoio da diretoria e empresários do TRC, tratar da liberação da nossa ex-presidente, que, com sua coragem e vocação inquestionável para o bem, havia sido presa quando da realização de um movimento de profissionais e empresários, exatamente para chamar a atenção das autoridades quanto ao excessivo índice de roubo de cargas que assolava as transportadoras e os embarcadores, colocando em risco a integridade física e a própria vida dos motoristas, e o patrimônio composto pelos veículos e cargas.

Falo de setembro de 1993, ou seja, há quase 22 anos. Mas a verdadeira guerra não começava aí, já impactava a atividade muito antes, também tendo sido objetivo de trabalho e de combate pelos ex-presidentes Newton Soares e Baldomero Taques Filho, com a criação e contratação de profissionais da área de segurança para se dedicarem integralmente ao tratamento desse delito, levantando e fornecendo dados para as autoridades policiais, colaborando, assim, com as investigações e detenção dos criminosos.

Com o apoio do SINDICARGA, o Estado do Rio de Janeiro foi, inclusive, o primeiro no Brasil a criar uma Delegacia Especializada para tratar exclusivamente do combate ao roubo de cargas.

Os anos se passaram e, apesar dos diversos investimentos feitos pelas empresas do TRC, com sistemas de rastreamento nos veículos, escoltas armadas, proteções maiores em seus depósitos etc., temos assistido a um impressionante e inaceitável crescimento desse tipo de crime, em especial no Estado do Rio de Janeiro, onde tivemos, em 2014, quase 6.000 ocorrências, contra 3.500 no ano anterior, representando um adicional de 70%.

Registros recentes feitos por câmeras instaladas nas vias públicas na região da Pavuna, subúrbio de nossa cidade, mostram a ousadia e o total destemor desses criminosos, que param os veículos de carga em plena luz do dia, para escolher e sequestrar motoristas e veículos que estejam transportando as mercadorias mais visadas, como cigarros, medicamentos, eletroeletrônicos, bebidas e produtos alimentícios, entre outros.

Nossas entidades, FETRANSCARGA e SINDICARGA, juntamente com a NTC&Logística e representantes do PEP – Polo Empresarial da Pavuna, estiveram, recentemente, com as autoridades do Estado, Governador e Secretário de Segurança, entre outros, para apresentar esse catastrófico quadro, com o objetivo de dar início a um trabalho de inteligência e investigação mais apurado e especializado, procurando identificar e prender os criminosos que realizam a ação direta nas vias públicas e os receptadores das cargas roubadas, que depois são comercializadas ou processadas na cadeia produtiva, seguindo para o consumo da população ou como matéria-prima para outras indústrias.

Inegável que o roubo de cargas passou a fazer parte, há alguns anos, da cadeia criminosa organizada, como um braço financeiro para custeio do tráfico de drogas e de armas, o que o coloca em posição de destaque, como algo que deve ser tratado e combatido a qualquer custo.


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