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  ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria publicada em: N.A.

Freada brusca
Agosto/2015

A imagem de uma carreta carregada freando vem naturalmente à mente dos profissionais que trabalham no transporte rodoviário de cargas, sejam eles motoristas, ajudantes, encarregados ou dirigentes. Em não raras vezes, a mercadoria transportada, seguindo o princípio da inércia, mantém a velocidade que vinha sendo desenvolvida pelo veículo e avança sobre a cabine, causando destruição e vítimas.

Trago dessa experiência a lamentável visão para o que vem acontecendo em nossa economia, com pesadas consequências, tais quais às causadas às cabines dos nossos chamados “cavalinhos”.

Fruto de anos prósperos que geraram confiança contagiante nos mais diversos setores, investidores dos mais diversos portes traçaram metas e desafios vislumbrando sustentável crescimento aos seus negócios.

Ambiente favorável em quase todos os aspectos, inclusive com a facilitação ao crédito, tanto para os bens de capital e produção como para os de consumo de produtos duráveis ou não, privilegiou a cadeia de ponta a ponta, fazendo a roda girar 360 graus e proporcionando satisfação em todos os níveis.

Empresas continuaram assumindo, por meses e anos seguidos, compromissos junto aos agentes financeiros, reforçando e preparando suas estruturas para os previstos crescimentos do PIB e dos resultados positivos nos balanços anuais.

Otimismo e bem-estar coletivo, a vez do Brasil, destaque entre os BRICS e já então a sétima economia mundial.

Sem a pretensão de utilizar o economês, como se diz, a realidade mudou e temos hoje um difícil quadro a ser superado.

Cada vez mais percebemos o esvaziamento e a redução dos negócios, também retratados nas ruas e shoppings pelas placas de “aluga-se”, “vende-se” e “passo o ponto”. Ao mesmo tempo, notícias ou conversas de amigos trazem as duras realidades vividas pelas empresas e pelos profissionais demitidos, desde as funções mais simples às mais qualificadas.

É o que também acontece com muitas de nossas empresas, que acreditaram e tomaram crédito para a aquisição de veículos e de equipamentos, além de melhorias nos terminais logísticos, não fugindo ao quadro geral da economia.

Quedas significativas no volume de oferta e de carga transportada reduzem o faturamento das empresas em 30 por cento ou mais, apertando o fluxo de caixa e trazendo o risco de inadimplência para dentro de casa.

Em recente visita ao BNDES, quando fomos recebidos pela Diretoria daquele banco de desenvolvimento, lideranças empresariais, capitaneadas pela NTC, procuraram apresentar esse quadro e a necessidade de concessão de carência e prorrogação dos prazos de pagamento dos financiamentos obtidos na linha do Finame, proporcionando as mínimas condições de pagamento e de manutenção das empresas, que precisam continuar atendendo o mercado e abastecendo o país, além de suprir os corredores de exportação.

O momento exige cautela e muita dedicação ao negócio, inspiração e transpiração para encontrar os caminhos e alternativas que viabilizem o equilíbrio e funcionamento das empresas. Imprescindível, também, a aplicação das regras de bom senso e do interesse comum, com as partes cedendo e procurando encontrar, em conjunto, a solução para cada dificuldade.

Uma brincadeira popular diz que, diante da desordem e do aperto no coletivo, o motorista do ônibus dá uma freada para acomodar os passageiros. Os próximos tempos serão de ajustes e enfrentamentos, mas temos que trabalhar e acreditar que essa freada brusca no país provoque, enfim, uma melhor arrumação do Brasil.


Eduardo F. Rebuzzi
Presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA e Presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ


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