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  ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria publicada em: N.A.

Pagando o pato
Outubro/2015

“Pagar o pato” é uma expressão popular normalmente utilizada quando alguém arca, voluntariamente ou não, com as consequências de ações e atitudes praticadas por outra pessoa.

Para matar a curiosidade quanto à sua origem, verifiquei duas histórias de tempos passados, uma da literatura italiana do século XV, digamos, menos ortodoxa, e outra, do folclore português, mais “de salão”, que consistia numa brincadeira em que se amarrava um pato no poste, e os participantes, a cavalo, deviam cortar as cordas, derrubando-o num único golpe. Aquele que não conseguisse, pagaria o pato e o entregaria aos vencedores. Em comum a ambas as histórias, o fato de se pagar algo sem a obtenção de qualquer benefício.

Se isso não ocorre exatamente assim no atual momento do Brasil, não podemos descartar também alguma semelhança.

É sabido que classes menos aquinhoadas alcançaram benefícios “jamais antes vistos” em nosso país. Muitos brasileiros tiveram acesso ao crédito para a aquisição de bens duráveis ou não, além de bolsas sociais, o que deveria ser não apenas uma forma de corrigir faltas, mas, também, de procurar educar e preparar as pessoas para caminharem com as próprias pernas.

Infelizmente, os governos recentes atuaram apenas numa parte de suas responsabilidades, ignorando, por incompetência ou não, a necessidade de preparar o futuro com bases reais e realizáveis.

Como era de se esperar, a conta a ser paga chegou. O desequilíbrio fiscal está aí e, pior, junto com a maior crise de credibilidade e de inoperância de um governo que está encurralado entre a péssima avaliação popular e o descontrole de sua base política.

No que se refere ao nosso setor, vemos empresas de transporte de cargas com reduções enormes em sua operação e faturamento, chegando a 50% ou mais do que realizavam anteriormente. Avolumam-se dívidas, demissões, ociosidade e tudo mais que demanda uma estrutura empresarial, além do aumento nos índices de roubos de carga e de insegurança, o que acentua riscos, custos e prejuízos.

Em suma, as nossas empresas vêm sendo atingidas por todos os lados, seja pela redução de suas receitas, seja pelo aumento dos gastos e perda de produtividade, seja, enfim, pela falta de infraestrutura logística e simplificação da burocracia. Assumimos tributos e encargos de toda ordem e ainda temos que acrescentar itens voltados a cobrir a falta de segurança e o atendimento social.

Não dá para ficarmos parados e assistirmos à criação de novos impostos “provisórios”, como única opção de o governo fechar seu caixa.

Conforme menciona um dos manifestos institucionais contra essa prática de passar a conta para os outros, o governo, toda vez que precisa cobrir seus gastos, acha mais fácil passar a conta adiante ao invés de cortar despesas. Adivinhem para quem sobra? Aumentar impostos já excessivos e trazer de volta a CPMF vai onerar ainda mais as empresas e as famílias, acentuando o desemprego e reduzindo o consumo e o giro da economia.

Embora o TRC tenha se habituado, historicamente, a pagar muitos patos, precisamos nos unir àqueles que não querem fazer isso. Nós também não queremos!


Eduardo F. Rebuzzi
Presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA e Presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ


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