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  ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria inserida em: N.A.

A grama do vizinho
Novembro/2015

Quem não ouviu a expressão “a grama do vizinho é mais verde”, no sentido de que a vida do outro lado do muro é mais fácil e melhor do que a nossa? Isso tanto pode se aplicar a aspectos pessoais como ao mundo dos negócios. E, falando em negócios, o que temos vivido atualmente no Brasil parece contradizer o provérbio, já que, com raras exceções, nem mesmo a grama do vizinho parece estar tão verde assim.

Chegamos a um quadro de estagnação e desesperança que leva as pessoas a um comportamento quase depressivo, vendo bruxas e monstros em todos os cantos. Esta semana mesmo, no centro da cidade, aproveitei para ir a um engraxate conhecido e soube que o movimento dele havia caído cinquenta por cento e que muitas lojas nas proximidades haviam encerrado suas atividades. O mesmo se ouve dos motoristas de táxi e de outros profissionais.

De um modo geral, as notícias que circulam na imprensa e nas entidades representativas registram esse quadro e antecipam outros piores, que exigem o aumento da atenção dos empresários e executivos que fazem a gestão das empresas.

Postos de trabalho são eliminados, assim como lojas e pequenas indústrias se fecham, aumentando a inadimplência e também os pedidos de recuperação judicial, cujo número bateu o recorde em 2015, sendo composto por quase 20% de grandes empresas. Mercados que empregam muito, como a construção civil, entram em colapso, com grandes estoques e devoluções de imóveis, e a consequente suspensão de novos lançamentos.

Os financiamentos do BNDES caíram 25% neste ano, e os bancos comerciais também estão emprestando menos, cobrando juros mais elevados e exigindo mais garantias, o que acaba contribuindo para piorar a liquidez e a confiança do mercado.

Investidores somem da Bovespa, e a cotação das companhias abertas caiu 40%, em termos reais, desde 2010. O processo de sobrevivência à crise vai ficando pesado demais, e muitos titulares acabam preferindo vender seus negócios, num ambiente desfavorável. Uma conhecida agência nacional de negócios informou que, até o primeiro semestre deste ano, recebia, por mês, cinco sondagens de clientes, a maioria querendo comprar concorrentes. Hoje, são cerca de 20 consultas mensais e 18 delas procurando vender.

Dizem os especialistas que esta pode ser a pior crise nacional de todos os tempos, passando pela grande depressão dos anos 30, com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, que derrubou as exportações brasileiras de café; a década perdida dos anos 80, com direito ao pedido de moratória da dívida internacional; a estagnação provocada pelo confisco da poupança do governo Collor, nos anos 90, e a famosa “marolinha” no segundo mandato do governo Lula, com a queda de 3,8% do PIB no primeiro semestre de 2009, em consequência da quebra dos bancos americanos e do colapso financeiro mundial.

Estamos diante de um quadro em que o PIB do Brasil pode cair mais de 5% no acumulado de 2015 e 2016, com o agravante de que não temos a mínima sinalização de encaminhamento político para os desajustes nacionais, sem dúvida, o maior causador de tudo o que estamos vivendo. De um lado, um governo sem liderança e credibilidade e, de outro, um Congresso envolvido mais em suas picuinhas e rixas internas do que na visão do cotidiano e do futuro dos brasileiros.

Quanto a nós, empresários, bem, temos que procurar gerir as nossas empresas considerando todas as possibilidades, enfrentando os problemas objetivamente e sem o “direito” de entrar em depressão.


Eduardo F. Rebuzzi
Presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA e Presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRio


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