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  ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria inserida em: N.A.

TODOS POR TODOS
REVISTA “EU AMO CAMINHÃO” – Fevereiro/2016

Um por todos, todos por um é um lema tradicionalmente associado aos heróis protagonistas do romance Os Três Mosqueteiros, escrito pelo francês Alexandre Dumas e publicado como folhetim entre março e julho de 1844.

Tal lema expressava, na época, uma espécie de axioma universal, que representava a união de todos num só objetivo e, mais ainda, a defesa de ideais que trouxessem, acima de tudo, a liberdade de um povo, cujos valores, através desses sentimentos, deveriam ser defendidos, em último caso, até com a própria vida.

Atento ao momento pelo qual estamos passando no Brasil, com o caos político que se instalou nos poderes Executivo e Legislativo, respingando até no Judiciário, lembrei-me dos mosqueteiros Athos, Porthos, Aramis e d'Artagnan, que se mantinham leais uns aos outros por piores que fossem as circunstâncias e provações.

Nas idas e vindas da vida, em conversas informais ou não com amigos, empresários, trabalhadores, lideranças, enfim, com todo tipo de pessoas e de diversas funções, noto claramente uma ansiedade quase coletiva que beira o desespero e a falta de esperança, que resolvi chamar de “desesperança”.

E a motivação para esse quadro, que não quero generalizar além da conta para não ser acusado de pessimista ao extremo, é o desgoverno, a falta de respeito, a inexistência de ética e senso de responsabilidade, e a ganância sem limites pelo poder e por dinheiro.

Sabemos os nomes, onde estão, o que fazem e, pior, as pesadas e incontroláveis consequências que caem sobre a grande maioria da população.

Tirando algumas poucas exceções, não vemos setores econômicos, empresários dos mais diversos ramos e tamanhos, profissionais, estudantes, formandos, donas de casa e outros brasileiros comuns que compõem a sociedade perceberem ou estarem vivendo um quadro diferente.

A tolerância existente extrapola o valorizado bom temperamento e humor do povo brasileiro, e rompe as raias da covardia.

Além dos reconhecidos e históricos problemas nacionais, como falta de educação, de saúde pública, de infraestrutura deficiente, de falta de competitividade e de confiabilidade que assustam e expulsam investidores, o desgoverno central, junto com o que assistimos em quase todas as regiões do país, aumenta impostos, entrega a conta do desemprego e da inflação galopantes, mais o agravamento da insegurança que afeta, sem direito de defesa, as famílias e o patrimônio privado.

Voltando agora aos Três Mosqueteiros, questiono-me, e também aos meus pares, aonde deixaremos nos levar. Qual a efetiva coragem e vontade dos donos das vozes, cada vez mais fortes e em maior quantidade, que gritam que temos que fazer algo?

Nossas entidades organizadas, respeitando os limites do bom senso e da ordem, têm, mais do que o direito, a obrigação de liderar todos os movimentos possíveis para mostrar que o Brasil é de todos nós, e não apenas de alguns poucos que se apoderaram dos poderes, seja pelo voto infeliz ou pelas indicações negociadas.

Aos empresários, a quem este artigo é mais destinado, se nada continuar sendo feito na medida necessária, restará a alternativa de continuar reduzindo seus custos enquanto der, desempregando e se desfazendo de suas estruturas, se endividando e pedindo recuperação judicial, quebrando ou fechando.

Ou nos unimos e tentamos mudar o nosso Brasil, ou deixemos que prevaleça o cada um por si e Deus por todos.


Eduardo F. Rebuzzi
Presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA e Presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRio
rebuzzi.presidencia@fetranscarga.org.br



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