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Matéria publicada em: 17/03/2020

Coronavírus: OMS recomenda suspensão do uso de ibuprofeno como automedicação

Remédio pode facilitar infecções por Covid-19; Ministério da Saúde disse ontem não ver prejuízos na sua utilização

O Globo com agências internacionais
17/03/2020

Comprimidos de ibuprofeno, apontados pela OMS como possível agravante para pacientes com coronavírus
Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo

GENEBRA — A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou, nesta terça-feira (17-03), que pessoas com sintomas do novo coronavírus não usem ibuprofeno para aliviá-los. Paralelamente, as autoridades francesas alertaram que os medicamentos anti-inflamatórios poderiam piorar os efeitos da Covid-19.

As advertências do ministro da Saúde da França, Olivier Veran, no fim de semana, chamaram atenção do mundo e foram baseadas em um estudo publicado pela revista científica The Lancet na última quarta-feira.

O trabalho sustenta a hipótese de que uma enzima estimulada pelo ibuprofeno e outras drogas semelhantes pode facilitar e piorar as infecções por vírus.
O porta-voz da OMS na sede da entidade, em Genebra, Christian Lindmeier, disse a repórteres que especialistas da ONU “estão analisando o assunto”.

— Enquanto isso, recomendamos o uso de paracetamol e não usar ibuprofeno como automedicação. É importante — disse.

O ministro francês indicou em um tuíte que o ibuprofeno e outras drogas similares podem ser “um fator agravante” nas infecções por coronavírus.

Além do ibuprofeno, os especialistas também não recomendam o uso de aspirina e corticoides.

Brasil contraria OMS

Um dia antes da recomendação da OMS, o Ministério da Saúde afirmou que o uso de medicamentos como ibuprofeno, captopril e enalapril não deve ser suspenso por causa do novo coronavírus.

Na avaliação do governo brasileiro, não há comprovação científica de problemas decorrentes desses remédios. Ontem, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse a jornalistas que a população não deveria suspender o uso da droga.

— O risco de as pessoas pararem de tomar esses medicamentos por conta dessa notícia é muito pior do que o uso do medicamento. Porque se ela parar de tomar vai desequilibrar suas condições, sua pressão arterial. Vai ficar suscetível e, se tiver o coronavírus, aumentam as chances de ter complicações — disse Gabbardo.

Ao falar especificamente sobre o ibuprofeno, o secretário-executivo disse que o que pode ocorrer é um efeito reduzido em relação ao problema de saúde que a pessoa trata com o remédio.

— As pessoas que usam o medicamento (ibuprofeno) e têm coronavírus, esse medicamento passa a ter o efeito reduzido em relação à sua doença básica. Não é que vai aumentar a chance de ter coronavírus — afirmou o secretário-executivo.

Gabbardo explicou que a equipe de avaliação científica e técnica do Ministério da Saúde fez estudos, revisou literatura, consultou especialistas e chegou à conclusão de que não há prejuízos para a população no uso dos medicamentos. Eles não precisam, portanto, ser substituídos.



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