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  ARTIGOS DO PRESIDENTE
Matéria publicada em: N.A.

TRC roubado há décadas

Não por mera coincidência, meu artigo publicado há exatos 12 meses, em março de 2015, versava exatamente sobre este tema, então sob o título “Roubo além da carga”.

Na ocasião, nas minhas reminiscências, trouxe aqui o ano de 1993, quando assumi a presidência do SINDICARGA sucedendo a amiga Tania Drumond, que, num ato corajoso para tentar combater o roubo de cargas no estado do Rio de Janeiro, liderou um movimento das empresas e profissionais que atuavam no Transporte Rodoviário de Cargas, com o objetivo de chamar a atenção das autoridades e da sociedade quanto a esse verdadeiro descalabro que assolava as transportadoras e os embarcadores.

Voltando um pouco mais no tempo, recordo-me, também, que, nos idos de 1985, eu próprio e outros gerentes de nossa empresa chegávamos ao ponto de sair para as rodovias com o objetivo de tentar localizar caminhões carregados com produtos de nossos clientes, como alumínio, pneus, perfumaria, entre outros, todos visados pelas quadrilhas que, à época, ainda utilizavam o formato do desvio da carga em vez da violência armada que passamos a enfrentar anos depois.

Pois bem, e o que temos assistido de lá para cá? Simplesmente, o agravamento crescente, ano a ano, dos índices de roubo e dos custos inerentes, também com a fuga das seguradoras desse tipo de cobertura, restando poucas companhias que, para continuarem, elevam os prêmios e aumentam o número de exigências para liberação dos caminhões carregados, como o rastreamento on line, acompanhamento por escoltas, limitação dos valores e volumes transportados independentemente da capacidade física dos veículos etc.

Ou seja, há mais de 30 anos que só vemos a situação piorar, com algumas exceções em pontos específicos, como as que temos visto na cidade do Rio de Janeiro, fruto do empenho pessoal e das equipes formadas pelos policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) e de Batalhões da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal.

Mas, como se diz, sendo o cobertor curto, quando se logra êxito em alguma região durante um certo tempo, em outras os casos se multiplicam com o deslocamento oportuno dos criminosos, que precisam manter as suas atividades e resultados financeiros para garantir, inclusive, recursos para o financiamento de outros segmentos criminais.

Na busca de caminhos para tentar mitigar esse quadro caótico, resta bater em algumas teclas que continuam sendo a base facilitadora para o interesse pela atividade criminal. Apesar de os roubos oportunistas existirem, como aqueles em que os produtos são levados ao consumo direto e atendimento de comunidades mais carentes, a grande incidência recai, efetivamente, nos produtos que são levados à cadeia produtiva legalizada, como comércio e indústria, através de receptadores que esquentam suas vendas. Não resta dúvida, portanto, de que precisamos de legislação atual e serviços de inteligência para identificar e penalizar tais receptadores.

Como bem disse o Delegado da Polícia Federal Getúlio Bezerra Santos, “roubo de cargas é um crime nacional e devemos parar de tratá-lo como varejo”, sendo primordial levar a cabo um sistema integrado, atualizado e detalhado de informações sobre os casos, unindo a ponta entre as quadrilhas que atuam nas vias urbanas e rodovias, e aqueles que se especializam em receptar e colocar nas linhas de produção e prateleiras os produtos roubados.

Nossas entidades atuam, há décadas, no combate ao roubo de cargas. Mais recentemente, vemos que as associações representativas de outros segmentos econômicos também começam a perceber que precisam nos ajudar a proteger as cargas que transportamos. E esse é um fato positivo.


*Eduardo F. Rebuzzi
Presidente da Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro – FETRANSCARGA e Presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRio
rebuzzi.presidencia@fetranscarga.org.br



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