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Matéria publicada em: 08/03/2018

Secretário de Segurança apresenta oficialmente novos comandantes das polícias do Rio

Fonte: Extra online
Carolina Heringer e Giselle Ouchana

O secretário de Segurança Pública do Rio, General Richard Nunes, apresentou, na tarde de ontem (07/03) os novos comandantes da Polícia Militar, coronel Luis Claudio Laviano, e da Polícia Civil, delegado Rivaldo Barbosa. Durante o discurso, Nunes afirmou que os dois foram escolhidos pela experiência profissional e por serem de sua 'extrema confiança'.

– Escolhemos uma equipe que simbolizasse o esforço que vamos realizar em prol da sociedade. São pessoas da minha inteira confiança e foram escolhidos pela competência profissional. Tenho certeza de que irão fazer o esforço para transformar as duas instituições capazes de atender aos anseios da população - ressaltou Richard Nunes.

Em seu primeiro pronunciamento, o coronel Laviano, emocionado, deixou uma mensagem de motivação à tropa:

– Nós, policiais, homens de bem, estamos unidos para preservar o maior bem do ser humano, que é a vida da população. Policiais nas ruas atentos ao serviço, preservando a vida do cidadão. Policiais trabalhando honestamente em prol da sociedade. Policiais, tenham a certeza de que terão o apoio de seus comandantes. Fé, honra e glória aos homens de bem.

Já Rivaldo ressaltou a integração como instrumento principal da intervenção:

– Nós vivemos um momento histórico no Brasil, que nos traz algumas expectativas, como a união efetiva dos esforços do governo estadual, federal e municipal; uma integração plena das polícias – quem não estiver integrado não pertencerá à nossa equipe – e o respeito aos direitos e garantias individuais de todos cidadãos. Nós temos um foco: reestabelecer e trazer a tranquilidade à sociedade carioca. E faremos isso com todo o empenho do nosso trabalho.

Antes de serem apresentados à imprensa, Rivaldo e Laviano participaram do primeiro encontro nos cargos. Eles estiveram na 9ª reunião do Comitê Especial de Segurança Integrada (CESI), no Centro Integrado de Comando e Controle. Participaram da reunião, coordenada pelo secretário de Segurança, representantes de diversas instituições, como Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e Ministério Público.

BONS RESULTADOS E INVESTIGAÇÕES

Em setembro de 2007, um dos bandidos mais procurados do Rio deixou a Favela da Rocinha levando parte do dinheiro do tráfico. João Rafael da Silva, o Joca, dividia o comando da venda de drogas com Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, e fugiu da comunidade após um racha na quadrilha. Depois de monitorá-lo por um mês, uma equipe de seis policiais civis embarcou no mesmo voo que levava uma amante do bandido para o Ceará.

No dia 21 de outubro daquele ano, ele foi preso ao encontrá-la no aeroporto de Fortaleza. À frente do grupo que fez a captura sem disparar um único tiro estava Rivaldo Barbosa, então chefe da Coordenadoria de Inteligência (Cinpol). O trabalho marcou o início de sua ascensão na segurança pública do estado.

O delegado dirigiu a Divisão de Homicídios até ontem, quando foi chamado para uma conversa com o secretário de Segurança, o general do Exército Richard Nunes. Segundo uma fonte que acompanha a intervenção federal, pesaram para escolha de Barbosa seu bom trâmite no Judiciário e sua “quilometragem” — foi subsecretário de Inteligência —, além do histórico de bem-sucedidas investigações, inclusive de crimes que mobilizaram a opinião pública.

Acervo O GLOBO: Nascida em 1809, PM do Rio foi comandada pelo Exército até a ditadura militar

Barbosa esclareceu a morte do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, assassinado por policiais da UPP da Rocinha em 2013: no total, 25 agentes foram levados a julgamento. Também esteve à frente da investigação que resultou na prisão, no ano passado, de 96 PMs do batalhão de São Gonçalo denunciados por corrupção e participação em um esquema de extorsão de dinheiro de traficantes. Obcecado por números, ele mesmo fazia as planilhas da Divisão de Homicídios e exigia de cada delegado a conclusão de pelo menos dez inquéritos por mês. Em apenas um ano, o índice de elucidação de assassinatos no estado passou de 2% para 20%.

Também contou a favor do delegado o fato de ele já ter integrado as Forças Armadas. Foi militar da Aeronáutica por 15 anos, e boa parte deste tempo trabalhou fazendo previsões meteorológicas. Entrou na reserva em 2002, logo após passar em um concurso para a Polícia Civil, onde ainda chefiou a Divisão de Capturas (Polinter).

UM 'CAVEIRA' PARA LIDERAR A TROPA

Luís Cláudio Laviano é um “caveira”: chefiou o Batalhão de Operações Especiais (Bope) entre março e dezembro de 2014. Deixou a tropa de elite da PM para assumir o Comando de Polícia Pacificadora (CPP), responsável pelas 38 UPPs do estado e que, na época, contavam com cerca de 9.500 homens. Ficou no posto por 14 meses, período em que as áreas com unidades do projeto tiveram um aumento de 88,5% nos autos de resistência (mortes em confrontos com a PM): foram 49 casos, contra 26 ocorridos entre setembro de 2013 e novembro do ano seguinte.

Em fevereiro de 2016, Laviano deixou o CPP para se tornar inspetor-geral da Guarda Municipal do Rio. Ocupou o cargo até o início de 2017, quando foi substituído pela inspetora Tatiana Mendes. Desde então, é subsecretário de operações da Secretaria de Ordem Pública (Seop) da prefeitura.

O general Richard Nunes conheceu Barbosa e Laviano no planejamento da segurança de grandes eventos no Rio, inclusive o Pan de 2007. E, em abril de 2015, os caminhos do coronel e do delegado se cruzaram novamente, numa investigação: a da morte do menino Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, no Complexo do Alemão. O oficial estava à frente do CPP quando policiais da UPP do Morro da Fazendinha foram apontados como suspeitos do disparo que atingiu a criança na porta de casa.

Barbosa apurava o caso, e Laviano reconheceu que os policiais erraram durante a operação que causou a morte de Eduardo. O inquérito da Divisão de Homicídios, baseado em um laudo pericial, indicou que os PMs não tiveram intenção de atirar no menino, e a 2ª Câmara Criminal do Rio decidiu pelo arquivamento do processo.



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