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Matéria publicada em: 06/06/2018

Tabela da ANTT dobrou o preço do frete e deve ser alterada, diz ministro da Agricultura

Blairo Maggi afirmou que a ANTT deve alterar a tabela de frete mínimo que foi divulgada. Segundo ele, acordo com caminhoneiros será cumprido, mas é preciso uma adequação dos valores.

Por Laís Lis e Guilherme Mazui, G1, Brasília

Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, defendeu ajustes da tabela do frete.
(Foto: Carlos Silva /MAPA)

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP-MT), afirmou nesta quarta-feira (6) que a tabela de frete divulgada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mais que dobrou o valor do frete cobrado e que ficou “fora de qualquer padrão”.

“Ao fazer as contas e ver quanto ia custar, esse negócio ficou fora de qualquer padrão, subindo até duas vezes, duas vezes e meia, com relação ao frete que estava sendo praticado antes da greve”, disse.

A tabela de fretes foi instituída por medida provisória para atender a pedidos dos caminhoneiros para encerrar a greve que durou 11 dias e gerou uma crise de abastecimento em todo país.

O ministro afirmou que procurou a ANTT e que a agência chegou à conclusão de que vai precisar alterar a tabela. “A tabela era para ser um preço mínimo, mas, da forma que ficou, a tabela acabou ficando um preço máximo, até fora dos padrões que a agricultura pode pagar para transportar”, afirmou após participar do lançamento do Plano Safra 2018/2019.

Segundo o ministro, um frete que, antes da greve, custava R$ 5 mil, após a tabela passou a custar R$ 13 mil a R$ 14 mil. “Não há a possibilidade de ter um frete tão caro assim e, no final, quem vai pagar a conta é o consumidor”, disse o ministro.

O ministro entende que não deveria ter uma tabela de frete, mas que ninguém vai fugir do acordo que foi feito com os caminhoneiros. Ele defendeu a readequação dos valores.

Mais cedo, a ANTT divulgou nota à imprensa informando que o assunto vem sendo “discutido com prioridade” na agência desde a semana passada e que em breve será divulgado um ajuste na tabela.

“Em breve, a ANTT publicará ajustes na tabela, com dados mais detalhados, que irão esclarecer as possíveis dúvidas”, diz a nota.

A ANTT disse, ainda, que vai abrir um processo de consulta pública para discutir o assunto “amplamente” com a sociedade.

Peso da tabela

Representantes do agronegócio dizem que a tabela de fretes está afetando os negócios e o escoamento de grãos, o que deve impactar negativamente as exportações agrícolas do Brasil neste mês.

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Júnior, classificou a tabela do frete como um “retrocesso”. Segundo ele, os preços definidos elevaram os custos para escoar a produção.

“Como é que nós estamos dizendo que somos uma das agriculturas mais modernas do mundo, altamente competitiva, se nós temos um retrocesso desse? De uma hora para outra voltar a tabelamento? Isso é retrocesso”, completou.

Em entrevista a jornalistas no Planalto, Martins declarou que, caso a tabela não seja revista, a CNA vai questionar a medida adotada pelo governo na Justiça.

“A CNA se posicionou da seguinte maneira: tem de rever essa tabela ou então a CNA vai tomar todas as medidas possíveis, até ir para a Justiça, até questionar a legitimidade da tabela”, disse.

Segundo Martins, a tabela inviabiliza atividades do setor. “Se continuar [valendo a tabela], vai inviabilizar, tanto que houve parada total de embarque de grãos, houve parada total de negociação de exportação”, afirmou.



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