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Matéria publicada em: 27/01/2019

Empresários gaúchos decidem bancar armas da polícia

Movimento começou com ‘vaquinha’ entre amigos. Nova lei permite abater as doações do pagamento de parte dos impostos

PATRICIA COMUNELLO*
PORTO ALEGRE

Na tarde do dia 5 de março de 2017, o empresário Leonardo Fração, que foi dono de uma das maiores transportadoras do Rio Grande do Sul e hoje gerencia investimentos da família, brincava com a filha quando pensou em como poderia minimizar os efeitos, para a população, da crise financeira gaúcha. Preocupado com a capacidade de a polícia investir no combate à criminalidade, ligou para o então secretário de Segurança Pública de Porto Alegre, Kleber Senisse. A prefeitura tentava ajudar o governo estadual, e o empresário perguntou como poderia auxiliar. A resposta foi direta:

— Ajude a consertar viaturas da Brigada Militar (BM).

Ao menos 120 carros da BM, a polícia militar gaúcha, estavam parados em vez de vigiar ruas de Porto Alegre. Há anos em crise financeira crônica, o governo estadual não tinha dinheiro nem para consertos, muito menos para compras. Fração acionou amigos e fez uma “vaquinha”: juntos, pagaram peças e reparos e devolveram os carros às ruas. Muitas oficinas doaram os serviços.

Mesmo assim, as dificuldades do governo continuaram em áreas como combate ao crime organizado. Assaltos a bancos cresceram 20% entre 2017 e 2018. As quadrilhas atacam pequenas localidades, que muitas vezes têm um único policial militar. Estima-se que haja déficit de 30% no efetivo da PM gaúcha.

Em dezembro, Três Palmeiras, na região norte gaúcha, sofreu o segundo ataque de assaltantes de banco em oito meses. Os bandidos formaram um cordão humano com reféns para impedir a ação da PM. Fração decidiu recorrer aos amigos novamente:

— Meu plano era juntar 20 empresários e convencer cada um a doar para comprar armas e equipar a BM.

Ele conseguiu mobilizar 50 pessoas e arrecadar R$ 14 milhões, que se transformaram em mais de 2.700 armas, entre pistolas e fuzis, 46 viaturas e outros equipamentos, todos doados em dezembro de 2018 à polícia gaúcha.

O empresário diz que, este ano, o grupo de empresários que lidera tenta arrecadar R$ 100 milhões para bancar mais equipamentos. Para a mobilização, foi criado, em 2018, o Instituto Cultural Floresta, que conseguiu convencer o então governador José Ivo Sartori (MDB) a propor uma lei que permita abater do pagamento de impostos, no limite de 5%, o valor das doações. Assim, os empresários adiantam recursos ao governo e garantem a aplicação em segurança.

A proposta foi aprovada pelo Legislativo estadual e está regulamentada. Já há conversas entre o governador Eduardo Leite (PSDB) e o instituto sobre a adesão de empresas. Para Fração, a ajuda dos empresários já contribui para melhorar estatísticas, como o recuo de 20,9% no total de homicídios na capital gaúcha em 2018.

— Não queremos substituir o estado. Segurança é tarefa do governo, mas precisamos fazer algo. Fazemos isso para andar na rua tranquilos.

(*Especial para O GLOBO)


NOTA DA FETRANSCARGA: O presidente da entidade, Eduardo Rebuzzi, congratula o ex-empresário do TRC Leonardo Fração e demais empresários pela atuação em prol da sociedade gaúcha.


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