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Matéria publicada em: 05/02/2019

Nota de falecimento – JOSÉ FIORAVANTI

O presidente da FETRANSCARGA, Eduardo Rebuzzi, manifesta sincero pesar e se solidariza aos parentes, amigos e companheiros do setor nesse triste momento

Faço uso da bela mensagem do mestre Geraldo Vianna – a sabedoria tem de ser sempre respeitada – para também lamentar essa perda e acrescentar como é importante reconhecer o valor das pessoas, coisa que, para alguns, pouco importa.

É preciso lembrar que muito do que o setor representa hoje não é fruto da ação de um líder aqui, outro acolá, mas de tantos, inclusive dos que falam pouco, não vociferam a esmo nem têm apego ao palco. É preciso falar dos “antigos”, aqueles que os mais novos que julgam tudo saber desconhecem.

A mensagem de Geraldo Vianna apenas resume uma história. Ele certamente teria muito mais a contar.

“Acordei hoje com a notícia triste do falecimento de JOSÉ FIORAVANTI.

Ele teve importância fundamental na organização do nosso sistema de representação, nos anos 80 e 90, representando os transportadores autônomos. De origem humilde, em Presidente Prudente (SP), foi porteiro e “lanterninha” de cinema, e, depois, taxista. Mas foi nas entidades de classe que ele se destacou, chegando a presidente do Sindicato de Transportadores Autônomos (taxistas e caminhoneiros) da sua região e dirigente da então Federação Nacional da categoria (FENCAVIR).

A luta que ele empreendeu para criar a sua federação estadual deu-se paralelamente a iniciativas semelhantes no Paraná e no Rio Grande do Sul. Simultaneamente, no âmbito do TRC, lutávamos para criar a FENATAC e nos separar das federações controladas desde sempre pelo transporte de passageiros. Em todos esses casos, foi necessário enfrentar uma batalha judicial, que chegou ao STF, para criar as novas federações e, depois, conseguir ingressar na Confederação Nacional.

Tudo isso nos aproximou muito e fez com que José Fioravanti fosse sempre um aliado do TRC, em todas as lutas que se seguiram, inclusive para a criação do SEST/SENAT. No momento crucial, de superação do velho peleguismo que dominava a então CNTT, ele compôs a Junta Governativa (ao lado de Agrário Marques Dourado e Dario Ferraz) que garantiu a realização de eleições livres e limpas, possibilitando a Camilo Cola assumir a presidência, sucedido por Thiers Fattori Costa, sempre com o apoio firme e decidido de Fioravanti. Já na gestão Clésio Andrade, ele foi um dos vice-presidentes e, nesta condição, assumiu a presidência da CNT, interinamente, em várias oportunidades.

Homem sério e leal, de poucas palavras e muitas ações, ele vai fazer muita falta. O setor perde uma de suas lideranças históricas. E eu perco um amigo de longa data”.

Eu gostava muito do Fioravanti. Nos quatro anos em que trabalhei na CNT, tive o privilégio de conquistar a confiança dele e, a partir de então, com ele conversar. Logo o Fioravanti, tão reservado, introspectivo, sorria para mim (seus sorrisos eram raros), puxava assunto comigo – veja só, uma honra! – tecia comentários sobre o setor, a vida e outras coisinhas mais.

Reconheço estar me gabando porque me sentia sinceramente privilegiada. Eu gostava daquela simplicidade e respeitava o jeito arredio que passou a cultivar ainda mais após a grande dor de ter perdido uma filha linda – vi dela uma foto – e muito jovem.

Não sabia do Fioravanti desde um encontro numa das solenidades de entrega da Medalha JK. Mais uma vez, conversamos um bocado. Passado um tempo, foi-se recolhendo cada vez mais na sua Presidente Prudente. Descansou por fim, foi dar um pulinho no céu para encontrar uma estrela especial, muito querida.

Maryland Moraes
Secretária Geral da FETRANSCARGA


Minibiografia (com informações da Agência CNT de Notícias)

Fioravanti foi vice-presidente da CNT e presidente da seção dos Transportadores Autônomos de Passageiros e de Cargas da Confederação. Presidiu a Fetacesp (Federação dos Taxistas Autônomos do Estado de São Paulo) e foi diretor e delegado sindical da Fencavir (Federação Nacional dos Taxistas e Transportadores Autônomos de Passageiros).

Nascido em Presidente Prudente (SP) em 27 de dezembro de 1933, Fioravanti dedicou a vida ao transporte. Foi fundador, presidente e membro atuante em diversas entidades do setor e, assim, participou ativamente de relevantes conquistas, tais como a criação do SEST (Servico Social do Transporte) e do SENAT (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) e o fortalecimento da CNT.

Como representante dos transportadores autônomos, atuou para a obtenção da isenção de IPI e ICMS para veículos novos e isenção de IPVA para os taxistas.

Em 2018, ele foi agraciado com a Medalha JK – Mérito do Transporte Brasileiro, no grau Grã-Cruz, entregue pela CNT como reconhecimento por sua inestimável contribuição para o transporte brasileiro.


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