O DECOPE – Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas da NTC&Logística, responsável por estudos técnicos voltados à apuração de custos de transporte rodoviário de cargas e logística, estatísticas do setor, estudos macroeconômicos e formação de índices de custos referenciais que medem a inflação do TRC – tais como os dois mais reconhecidos pelo mercado: o INCTF, Índice Nacional de Custos de Transporte de Carga Fracionada e o INCTL, Índice Nacional de Custos de Transporte de Carga Lotação –, apresenta os resultados dos últimos estudos e levantamentos realizados.

 

O INCTL alcançou, em julho, a sua maior variação em 12 meses desde a sua criação em 2003, atingindo valor equivalente a 24,98%, e o INCTF, com 22,32%. Só houve um valor superior há 26 anos, em agosto de 1995. As empresas de transporte, para sua sobrevivência, necessitam efetuar o repasse da inflação nos seus custos aos preços praticados, o que vem sendo feito mediante negociação com os clientes.

 

Nesse momento, preocupa a falta do recebimento pela empresa transportadora dos demais componentes tarifários, tais como frete-valor, que banca os custos dos riscos legais da atividade, e o GRIS, que remunera os custos inerentes às medidas de combate ao roubo de carga.

 

Cabe observar, também, que muitas vezes os custos adicionais, decorrentes de serviços eventuais, são superiores ao próprio frete- peso e, muitas vezes, eles não são reconhecidos adequadamente pelo mercado, situação que precisa ser resolvida a fim de evitar prejuízos ocultos.

 

Há também que se destacar, neste momento em que a taxa de juros vem crescendo, um aumento do custo financeiro dado pelo prazo dilatado de recebimento do frete, que não é à vista.

 

Concluindo, é oportuno lembrar que estamos passando por um período difícil, com os combustíveis acumulando uma alta de quase 50% em 12 meses, o estado de pandemia que persiste e ocasiona queda na demanda de carga, aliada a aumentos de custos dos demais insumos na casa de 20 a 30%. Agravando ainda mais a situação, verifica-se que, mesmo com valores altos, há falta de insumos e persiste a condição de que muitos transportadores não conseguiram reajustar seus fretes adequadamente, comprometendo bastante o caixa das empresas, razão pela qual é necessário o alerta de caráter vital para a preservação da saúde financeira e da capacidade de investimento das empresas do setor.

 

É aconselhável e prudente que o transportador e seus contratantes negociem o repasse da inflação do período e das defasagens anteriores, a fim de manter o equilíbrio de seus contratos, a manutenção da qualidade e a garantia dos serviços de transporte de forma sustentável. Até porque, tudo indica que deveremos ter um segundo semestre bem aquecido, com alta demanda para o serviço de transporte.

 

Belo Horizonte, 5 de agosto de 2021.

 

Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística